Obra e artista - Não-objetos
Para a aula do dia 22/09, nos dividimos em grupos para pesquisar sobre obras e artistas de não-objetos, com o intuito de nos ajudar no entendimento desses tipos de artes, ampliar nosso repertório e levar pauta de discussão para a aula. Meu grupo pesquisou a obra de Hélio Oiticica:
Pesquisa sobre os Parangolés
Os Parangolés são uma das obras mais famosas do artista brasileiro Hélio Oiticica (1937–1980), ligadas ao movimento neoconcreto e às experimentações artísticas dos anos 1960.
Essas obras são capas, bandeiras, estandartes e tendas feitas de tecidos coloridos, plásticos, redes e outros materiais. Surgiram em 1964, com a proposta de romper com a ideia de que a arte é apenas para contemplação. Por isso, os Parangolés são considerados obras interativas, pois só existem plenamente quando o público os veste e se movimenta com eles.
Oiticica levou os Parangolés para as comunidades e para o samba, especialmente nas favelas do Rio de Janeiro. Com isso, sua arte passou a ter um sentido político e social, representando liberdade, alegria, movimento e resistência.
Relação com o texto do não-objeto
O crítico Ferreira Gullar, no texto Teoria do Não-Objeto, de 1959, define o “não-objeto” como uma obra que não deve ser entendida como coisa ou objeto isolado, mas como uma experiência vivida pelo espectador. Ele rompe com a arte tradicional, propondo que a obra só exista plenamente no ato da interação, da percepção e do envolvimento sensorial.
Esse conceito aparece de forma muito clara nas obras de Hélio Oiticica, como os Parangolés e os Penetráveis. Nos Parangolés, por exemplo, a obra não é apenas um tecido colorido: ela só acontece quando alguém veste, dança e se movimenta com ele. Já nos Penetráveis, o público entra em ambientes criados pelo artista, vivendo cores, sons e texturas.
Assim, podemos dizer que o texto de Gullar fornece a fundamentação teórica do não-objeto, enquanto Oiticica transforma essa ideia em experiência prática, em que a obra deixa de ser objeto estático e passa a ser vivência corporal, sensorial e coletiva.